Pesquisa mostra impactos socioeconômicos de eventos em Joinville

Pesquisa aplicada em 12 eventos entre 2018 e 2019 apurou informações como gastos com a viagem, avaliação do visitante sobre a cidade e sobre sua infraestrutura.

Um estudo sobre turismo de negócios em Santa Catarina revelou que 44% dos visitantes vieram para um evento em Joinville porque seria realizado na cidade e que 93% ficaram tão bem impressionados que manifestaram vontade de retornar. Esses são alguns dos dados positivos apontados pela pesquisa desenvolvida pela Universidade da Região de Joinville (UNIVILLE) nos últimos dois anos com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Estado de Santa Catarina (FAPESC) e do Joinville e Região Convention & Visitors Bureau (JRCVB). “Os resultados comprovam a importância econômica dos eventos para o município e apontam que os responsáveis pelo planejamento turístico do destino devem investir em infraestrutura básica e turística para atrair eventos para Joinville, bem como para ampliar a estada dos participantes”, destaca a coordenadora do projeto, a pesquisadora Yoná da Silva Dalonso.

Os dados do Estudo dos Impactos Socioeconômicos do Turismo de Negócios em Joinville e a Imagem do Destino foram compartilhados em um webinário em julho com a participação do secretário estadual de Turismo do estado de São Paulo e ex-ministro de turismo Vinicius Lummertz. A pesquisa aplicada por meio de questionários, com enfoque quantitativo e em 12 eventos entre 2018 e 2019, resultando em uma amostragem de 1,5 mil entrevistados, apurou informações como gastos com a viagem, avaliação do visitante sobre a cidade e sobre sua infraestrutura. Um dos dados que mais chamou a atenção foi o desejo de retornar à cidade, manifestada por 93% dos entrevistados. Houve aumento da percepção positiva sobre Joinville, especialmente relativa à infraestrutura, no comparativo entre a pesquisa realizada em 2018 e 2019. “São dados importantes porque criam oportunidade de estabelecer políticas públicas específicas, impulsionar a infraestrutura e adotar estratégicas mercadológicas para potencializar o setor”, comemora Yoná Dalonso. O estudo detectou também aumento de gasto diário por pessoa (hospedagem, alimentação etc.), no comparativo entre os dois anos, de R$ 217,00 para R$ 291,00. Um crescimento de 28,6%, descontada a variação da inflação. Segundo os dados, 18% dos entrevistados em 2019 permaneceram de um a dois dias a mais na cidade – além dos dias de evento – e o principal motivo alegado foi lazer (52%). Do total de entrevistados, 53% disseram ter renda familiar superior a R$ 6.000,00 e 52% consideraram o evento melhor do que outros similares.

Para Giorgio Augusto Souza, executivo do Joinville e Região Convention & Visitors Bureau, a pesquisa demonstra a importância que o setor de eventos tem para a economia de Joinville. “Essa expressiva participação na geração de divisas e de emprego para o município acaba por ser ainda mais evidenciada em decorrência do momento atual que todos estamos passando, que resultou no cancelamento ou postergação de diversos eventos programados para este ano em nossa cidade”.

Turismo Regional

Outro dado considerado importante foi o meio de transporte usado para chegar a Joinville. Em 2019, 42% se utilizaram de carro, enquanto 24% usaram ônibus, o que indica que a maior parte dos participantes dos eventos de destinos emissores mais próximos. Esse foi justamente um dos pontos destacados pelo secretário estadual de Turismo de São Paulo, Vinicius Lummertz, durante o webinário promovido pelo Convention & Visitors Bureau em julho. Ele é um forte defensor do incentivo ao turismo regional e destacou no encontro virtual que esta modalidade é a que deve ser mais valorizada para a retomada gradual do turismo pós-pandemia. “É preciso trabalhar o mercado regional, o turismo entre as cidades, muito mais que o mercado internacional”, enfatizou. Detalhe: o setor de serviços no Brasil, que integra o segmento de turismo, é o que mais emprega hoje no país, cerca de 70% dos trabalhadores, o que comprova sua relevância para a economia. Lummertz chamou a atenção também para a importância do planejamento multissetorial e multidisciplinar para impulsionar o turismo – um movimento estratégico e um aprendizado que ficou evidente com a pandemia. “É preciso diálogo com os outros setores – saúde, segurança, tecnologia etc., além de estimular a inovação, para incrementar a atividade turística”. Com os empregos cada vez mais ancorados no setor de serviços.

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